sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

O paradoxo do virtual nos jogos presenciais: lojas e debates - Opinião por Micael Sousa

Uma das coisas que nos leva a gostar de jogar jogos de tabuleiro é ser uma atividade que fazemos presencialmente. Trata-se de um ato material de estar com outras pessoas, normalmente em torno de uma mesa, a mexer em componentes, participando no jogo. O frente a frente e a experimentação na primeira pessoa têm uma imensa importância, não há como o negar. No entanto, nem sempre realizamos outras dimensões que podemos associar ao meta jogo presencialmente, áquilo que está para além dos jogos propriamente ditos. 


Vamos a exemplos. Um dos mais paradigmáticos consiste na compra de jogos e no prazer que daí advém. Muitos de nós compramos os jogos online. Ou seja, dispensamos as lojas físicas na compra de jogos que se caraterizam por permitirem experiências físicas presenciais. É no mínimo paradoxal. Pessoalmente adoro ir a lojas de jogos de tabuleiro, apesar de comprar muitos jogos em lojas virtuais. Visito lojas mesmo que não compre nada, embora isso nem sempre é fácil de conseguir. Em Portugal não existem muitas lojas de grandes dimensões e com variedade considerável, menos ainda perto do local onde vivo. Ainda assim, costumo ir à FNAC de Leiria e sempre que estou em Coimbra à Diver. Por isso, sempre que visito outros países, especialmente em grandes cidades, aproveito para procurar as lojas locais. Uma das lojas que mais me surpreendeu pela qualidade e variedade foi o Red Goblin em Bucareste. Mas aquelas onde vou mesmo com muita frequência são as de Paris. São tantas e algumas tão perto umas das outras que é possível fazer roteiros de lojas, tal como este que fiz aqui para o blogue. Assim fica-me uma primeira dúvida. Será que os apaixonados por jogos de tabuleiro também retiram prazer da compra presencial dos seus jogos? Procurar jogos novos numa estante, mexer nas caixas para mim é um prazer, tal como meter conversa com os lojistas. E vocês, gostam disso, acham relevante?

Outro aspeto que se torna muitas vezes paradoxal são as plataformas em que decorrem as discussões e divulgação de jogos. Quem desconhece este hobby pensa que temos alguma aversão às tecnologias digitais. Muito pelo contrário. O Hobby dos jogos de tabuleiro modernos, de cartas, miniaturas e afins tem-se desenvolvido imenso nos últimos anos pelas possibilidades das tecnologias de informação e comunicação, criando o verdadeiro efeito de sociedade em rede que escapa às limitações territoriais e às longas distâncias. Muitos de nós adoram escrever, discutir e até produzir conteúdos multimédia sobre jogos, mas depois gostamos de jogar presencialmente e com componentes físicos. Eu sou um deles. O recurso aqui às tecnologias digitais pode ser semelhante ao que acontece com as lojas virtuais. Recorremos a essas plataformas por serem mais fáceis, baratas ou por não termos outras possibilidades de as fazer presencialmente. De certeza que apreciam também uma boa conversa presencial sobre jogos de tabuleiro, ou estarei enganado?

Fica aqui a reflexão e a dúvida final: mais alguém sentiu na pele estes paradoxos?

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