quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Dos Serious Games aos Mapas Mentais

Iniciei há pouco tempo uma nova rúbrica no canal de Youtube aqui do projeto Jogos no Tabuleiro dedicada à introdução aos jogos sérios. Podem seguir aqui neste link. Tendo por base as recolhas de dados, experiências, investigações e múltiplas sessões de teste que tenho feito em contexto real de formação, de aulas e de projeto parece-me poder ter utilidade estruturar um pouco todo este conhecimento na forma de vídeos rápidos. Tem sido uma forma útil – pelo menos para mim – de organizar e simplificar ideias. Mas parece que pelo menos mais uma pessoa achou interessante, ao ponto de dedicar algum do seu tempo a trabalhar sobre estes conceitos, sintetizando e criando outa forma de os comunicar, porventura mais eficazes do que os vídeos que criei. O meu amigo Bruno Ribeiro criou um mapa mental e partilhou-o comigo. Como é uma pessoa humilde disse-me que era apenas um draft e ensaio, pois estava a treinar a técnica. Eu achei que ficou excelente e perguntei se podia partilhar. Aqui está então o resultado do trabalho preliminar do Bruno quando iniciou esta aventura.

O Bruno inspirou-me tanto que decidi voltar a pegar na caneta também e começar a fazer os meus próprios rabiscos. Segui o conselho do Daniel Lança Perdição – que é um mestre nesta arte dos mapas mentais - e comecei a tornar-me uma avestruz. Todos sabemos desenhar, basta usar umas formas geométricas e umas linhas – diz ele. Organizar a informação desta forma é poderoso, para reforçar o autoconhecimento e para comunicarmos com os outros. Desde então não dispenso os meus rabiscos. Eu até diria que são essenciais para o design e adaptação de jogos, quer para objetivos lúdicos de entretenimentos ou para as gamications e serious games. Já tentaram rabiscar alguma coisa? No fundo, quando jogamos um jogo de tabuleiro estamos também a fazer mapas mentais, a desenhar no "círculo mágico". É também por isso que os jogos são tão poderosos e cativantes, podendo ser aplicados aos mais diversos contextos e objetivos.

Autor: Micael Sousa

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Ludoclube: um espaço único para gamers jogarem em Lisboa

Em novembro estive dois dias por Lisboa a propósito de uma conferência, que por mero acaso coincidiu com uma das noites abertas de jogos no Ludoclube. Para quem não conhece – e é normal que muitos não conheçam – o Ludoclube é um sítio reservado, direcionado para gamers que querem desfrutar de jogos de qualidade num ambiente calmo e controlado. Isto parece um bocado elitista, e de certa maneira é, mas no bom sentido. Qualquer pessoa pode aderir ao Ludoclube, mediante o pagamento de uma quota, mas não se garante que estejam lá pessoas de serviço para explicar jogos. Pode acontecer, mas será sempre numa relação entre pares. Pagar para participar aqui é mais que justificado, pois há custos inerentes a manter um espaço destes. Não é por acaso que ainda existem poucos locais permanentes em Portugal onde se pode estar constantemente a jogar com boas ludotecas, pois obrigam a estruturas de custos consideráveis para serem sustentáveis. Ou existem parcerias com outras entidades ou têm mesmo de ser os utilizadores a suportar os locais de jogo, especialmente quando querem garantir certas condições mínimas. 


Isto de jogos de tabuleiro ditos modernos é um hobby, não convém esquecer. Estes jogos são tecnicamente conhecidos por isso mesmo: por serem jogos de hobby. Isso explica-se pela sua génese, de criadoras e editoras que pegaram em jogos de simulação e começaram a desenvolver as suas próprias criações de modo caseiro ou paralelo à indústria do mercado de massas dos jogos de tabuleiro. Estes novos jogos de nicho escapavam às lógicas de mercado viradas para a consolidação de produtos ditos seguros e do jogo como brinquedo efémero, e foi por isso que prosperaram ao estarem constante a inovar. Ou seja, o ludoclube é exatamente o reflexo disso, de um espaço criado por gamers - por jogadores de hobby - de uma geração mais antiga, de uma altura em que não existia tanta divulgação nas redes sociais e onde os atuais boardgame cafés eram meras fantasias. Malta de outro tempo, mas a quem se tem juntado pessoal mais novo, mantendo o espírito mais underground do hobby. É por isso que isto é um tipo de elitismo positivo, porque se garante o aprofundamento do hobby num ambiente próprio e livre de outras logicas externas. Com cada vez mais eventos generalistas e direcionados para o grande público, com convenções que se assumem como festivais de jogos que tendem para os jogos mais leves, há que valorizar quem persiste e quer investir na diferenciação. 


Foi isto que senti quando visitei o Ludoclube. O espaço tem uma ludoteca impressionante, em variedade e qualidade. Tem boas condições para se jogar, muitas mesas com recantos e para se desfrutar dos jogos de forma recatada, pois permite a concentração no jogo e no grupo sem dispersões. Sem em alguns encontros e eventos pode parecer que há coisas mais importantes para além dos jogos e as pessoas que efetivamente os jogam, no ludoclube senti que estava numa câmara de amplificação da essência do hobby, no seu estado mais puro. 

Quem participa em muitas atividades de demostração e evangelização de jogos – como eu -, em que estamos constantemente a explicar os mesmos jogos de introdução a novos públicos sabe quão valioso é termos o nosso momento como gamers. Tendo em conta o atual panorama de crescimento da comunidade e cultura de jogos de tabuleiro em Portugal, espaços únicos como o Ludoclube são tesouros por explorar e preservar. 

Para conhecerem melhor o Ludoclube basta seguir este link

Autor: Micael Sousa
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