quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Algumas experiências sérias com jogos colaborativos - por Micael Sousa

Tenho feito, em nome individual ou com os meus colegas dos Boardgamers de Leiria, várias sessões de aplicação de jogos de tabuleiro modernos. Isto, em toda a sua diversidade de aplicação, tem permitido uma dupla vertente de experimentação e fundamentação teórica da própria aplicação.

Pessoalmente tenho utilizado os jogos segundo a metodologia e conceitos dos Serious Games, em que se identificam objetivos concretos e depois se escolhem jogos para os cumprir. Estas aplicações  relacionam-se com necessidades de formação de especialidade, mas também de processos de planeamento e afins.  Nos Boardgamers de Leiria, o trabalho tem sido mais direcionado para o apoio a projetos sociais e educativos, quer com sessões de ludoterapia, integração social e apoio a atividades educativas, utilizando o potencial dos jogos na aprendizagem formal e informal. 

Colaboro também com o grupo das metodologias colaborativas do Govint – Fórum da Governação Integrada. Neste grupo que desenvolveu uma ferramenta de apoio aos processos colaborativos, ajudei a que fosse posteriormente adaptada em sessão praticas de testes a soluções de jogos. Podem ver essa solução aqui

Teste do Magic Maze com o grupo das metodologias colaborativas do Govint

Através deste grupo do Govint foi possível testar também a aplicação de jogos de tabuleiro colaborativos, uma vez que é um género popular entre os novos designs de jogos e que podem ser ferramentas poderosas para alavancagem de múltiplos processos, especialmente dos colaborativos, utilizando o potencial motivador da dimensão lúdica dos próprios jogos. Um desses testes decorreu no dia 24 de novembro no Centro Escutista Nacional de Fátima. Estavam nessa sessão cerca de quatro dezenas de responsáveis pela formação dos Escuteiros de todo o país. Aplicamos os jogos: “Passa o Desenho”, direcionado para a cocriação de ideias do interesse dos escuteiros; “Magic Maze”, “Hanabi” e “The Mind” para identificar os requisitos e os procedimentos que levam ao sucesso dos processo colaborativos. 

Sessão colaborativa com Escuteiros

Os participantes tiveram a oportunidade de registar a sua opinião sobre essa sessão. O balanço global foi bastante positivo, ficando apenas o pedido para mais tempo de assimilação dos jogos e reflexão, tal como a referência a alguma confusão e alvoroço gerada pelos participantes durante os jogos. Poderíamos fazer várias leituras disto, mas parece-me que essas anotações comprovam a imersão e entusiasmo sentidos pelos participantes. Ou seja, quando os jogos cumprem os objetivos traçados inicialmente, que neste caso era o apoio à colaboração, podemos facilmente concluir que são ferramentas lúdicas que garantem envolvimento e participação natural. Por si só os jogos não são uma panaceia, ou solução para todos os males, mas se devidamente aplicados, moderados, debatidos e criadas sistematizações de análise e reflexão podem ser ferramentas que faltam a tantas atividades ditas sérias.

Do que fui falando com os participantes, responsáveis pela implementação de atividades nos Escuteiros, mas também porque alguns deles eram professores, surgiram muitas perguntas curiosas. Queriam saber mais, e foi ver telemóveis a tirar notas dos jogos. Seria de esperar que tentassem aplicar e implementar alguns destes jogos nas suas atividades. Mas nunca pensei que fosse tão rápido. A professora Ana Pinto, logo na semana seguinte, partilhou fotografias de utilização do Magic Maze e The Mind nas suas aulas sobre gestão de equipas na Escola Profissional da Figueira da Foz . Foram os próprios alunos a chegar às conclusões e conteúdos da matéria formal. Dificilmente poderia haver um processo tão inclusivo e participativo, que neste caso se focou na colaboração com utilização de jogos de tabuleiro modernos, pois dificilmente uma equipa pode funcionar bem sem colaboração. Tenho a certeza que o tempo da aula passou a voar e que ficou marcada na memória dos alunos.

Magic Maze na Escola Profissional da Figueira da Foz
autoria: Ana Pinto

The Mind na Escola Profissional da Figueira da Foz
autoria: Ana Pinto

Saber disto, que estas ações de promoção dos jogos como ferramentas sérias depois são replicadas deixa-me muito contente. É o inicio de um longo caminho, e nada me deixa mais desgostoso do que assistir  ao desperdício que é não utilizar estes jogos, pois são ferramentas sérias e baratas, que geram dinâmicas divertidas como dificilmente outras podem garantir. 

Estes jogos estão aí, à nossa disposição, e cabe-nos divulgá-los porque os conhecemos. Se mais pessoas os experimentassem não duvido que estariam muito mais generalizados do que estão hoje em dia, e aplicados a múltiplos usos e para muitos fins além da mera diversão. 

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