quinta-feira, 25 de julho de 2019

Os criadores de conteúdos e o SPAM! - Opinião por Micael Sousa

Ao analisar os vários canais de Youtube e a produção de conteúdos em vídeo, mas não só, fica-me uma questão de fundo: será que aquilo que fazemos tem alguma relevância? Por termos umas quantas visualizações nos vídeos, que por vezes até podem passar do milhar, como acontece em alguns dos vídeos do Jogos no Tabuleiro – o canal de youtube, podemos ficar tentados a partir do princípio que temos importância. Confesso que sou um bocado cético quanto a isso, pelo menos para já.


Terão vídeos com dezenas de visualizações impacto? Fazem a diferença? Muitos criadores começam e desistem porque não atingem aquilo que imaginavam. Se pensavam em poder ter um saldo positivo entre o que investem e ganham, se é que algum dia podem ganhar algo com isto, podem ter de esperar muito tempo. Não me parece que o mercado esteja ainda nesse ponto. A esmagadora maioria das pessoas não faz ideia de que existem estes jogos. Tenho notado isso em muitas formações que tenho dado, cujos públicos até estão despertos para o uso de jogos em múltiplos contextos. Em todas aproveito para passar questionário, que provavelmente em breve pode dar origem a uma publicação sobre o assunto.

Vou também recebendo mensagens e comentários que são muito importantes para alimentar a motivação. Mas mesmo assim, apesar de ser um bom balsamo para o ego, duvido da força dos conteúdos, dos meus e dos outros. Se não fizermos isto por real paixão será dificil. Se não tivermos disponibilidade de tempo e de dinheiro para os equipamentos e compra de jogos então nada feito, pois as pessoas que até vão seguindo estão sempre a pedir mais qualidade no multimédia e a sugerir analisar o jogo X ou Y. É desta relação que se pode dar o crescimento, embora possa não ser sustentável.

Não faço ideia se com os vídeos e textos influencio alguém ou sequer contribuo para o crescimento da comunidade e do hobby de uma forma relevante, mas com a ânsia de ser visto e lido – que ocorre naturalmente porque todas as pessoas gostam de ver as suas atividades de comunicação reconhecidas – arrisco o spam! E eu faço tanto spam! Tento não fazer, mas como proceder para divulgar sem exagerar? As redes sociais são um dos principais modos de divulgação, especialmente nos grupos de Facebook para a realidade portuguesa. E todas as pessoas que criam conteúdos tentam usar esses canais, que tendem a ficar cheios de links para vídeos, quase sempre sem qualquer interação. Gostava de não ter de recorrer a isso, de existir outra forma de fazer a divulgação. No entanto, quando partilhamos nesses espaços os vídeos ganham imediatamente novas visualizações. Por isso somos impelidos a continuar neste ciclo de spam.

Nós que frequentamos estes espaços online e gostamos de jogos, mas que não gostamos todos dos mesmos jogos e podemos também não gostar de todos os criadores de conteúdos, que tendem a ter abordagens próprias e focarem-se num determinado tipo de jogo, resta-nos bloquear esses criadores?
Provavelmente já fui bloqueado a adicionado a listas a ignorar. No entanto não é essa rejeição que mais me preocupa particularmente, porque provavelmente mereço. O que me incomoda mais é que não exista outra força de partilhar bons conteúdos, porque, mesmo que ainda não tenhamos lá chegado, um dia teremos seguramente bom material online para promover os jogos de tabuleiro ditos modernos em Portugal e em português.

Autor: Micael Sousa

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