sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

A Ditadura ou Democracia do Boardgamegeek? - Opinião por Micael Sousa

O Boardgamegeek é sem dúvida o maior e melhor sítio da internet sobre jogos de tabuleiro. É uma base de dados massiva com tudo o que interessa e se relaciona com este hobby. Se um dito jogo não existe ou tem baixa notoriedade no Boardgamegeek então está condenado (a não se que seja uma clássico).

Este site é realmente um local importante para visitar, ainda precise de ser atualizado de forma a ficar mais “user friendly”. Nele encontramos imagens, vídeos, comentários, imensas discussões e muitas coisas escritas sobre cada jogo e sobre o mundo dos jogos em geral. O sistema de pontuação permite atribuir uma nota a cada jogo e inseri-los num ranking geral e por especialidade.

É aqui que pode surgir o potencial problema. Os rankings podem ser tramados, especialmente para os jogos novos. Será muito difícil destronar os jogos mais antigos, embora no ano passado o “Pandemic Legacy” tenha ascendido ao primeiro lugar. Será difícil a um jogo novo ganhar destaque, especialmente se não tiver uma empresa de suporte à sua divulgação. Veja-se o caso do “Scythe” que ainda antes de ser lançado já constava como dos que mais buzz tinha no site, muito devido ao design gráfico do jogo e à mestria como a SM o divulgou com um plano de comunicação bem pensado e executado. Será o mercado a funcionar, mas até que ponto os rankings são realistas e justos. Apesar deste hobby despertar paixões entre alguns aficionados que tentam estar constantemente atentos às novidades, será difícil dar conta de tudo o que vai sendo publicado. Acontecendo o mesmo para quem se tenha iniciado nisto dos jogos de tabuleiro há pouco tempo e não conheça tudo o que já foi publicado.

 Como podemos realmente saber se os rankings são de levar a sério quando resultam das experiências de milhares de pessoas que passam por estas mesmas dificuldades: nem conhecem todos os jogos antigos nem conseguem acompanhar a avalanche das novidades. São estes aspectos externos que nos podem condicionar e tornar excessivamente dependentes da opinião de um site ou guru de jogos.

Não quero minimizar a importância dos rankings do boardgamegeek, pois são referências incontornáveis e úteis. Mas parece-me que devemos ser cautelosos, pois nada nos garante que aquela pontuação não seja apenas fruto da maior disponibilidade do jogo no mercado (variando muito de país para país), do maior trabalho de marketing, do momento histórico em que o jogo saiu ou de qualquer outro fenómeno que não se prende directamente com a qualidade do jogo em si.

Podemos sempre ver as “reviews” dos jogos, os “run through” e experimentar fisicamente nas lojas e cafés da especialidade e encontros da comunidade de boardgamers. Mas, por outro lado, isto também não garante que não sejamos condicionados pela opinião ou destaque que estas pessoas, empresas e grupos pretendem dar, consciente ou inconscientemente, a determinados jogos. 
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